"É um orgulho ser uma referência da canoagem nacional"

Publicado a
Atualizado a

Aos 22 anos, Emanuel Silva é a grande referência da canoagem nacional, estatuto que vincou recentemente com a qualificação, na categoria k1, para os Jogos Olímpicos de Pequim, que se irão disputar em Agosto, um feito que volta a repetir depois da presença nas Olimpíadas de Atenas em 2004.

Confessando que está agora "mais maduro e mais bem preparado" para encarar o desafio dos Jogos, o canoísta, natural de Braga, faz da confiança nas suas capacidades o maior argumento para afirmar que pode "superar o 7.º lugar conseguido em Atenas".

Com dez anos dedicados à modalidade, longe vão os dias em que começou a dar os primeiros passeios, por lazer, com os amigos, na foz do rio Cávado, em Esposende, onde ganhou o gosto pela modalidade. Agora a representar, novamente, o Clube Náutico de Prado, depois das passagens pelo Clube Náutico de Fão e pelo Clube Fluvial de Merelim, Emanuel Silva sente o peso da respon- sabilidade de ser um modelo para muitos jovens que se iniciam na canoagem, algo que, no entanto, confessa "dar motivação para atin- gir melhores resultados".

"Sei que sou um atleta de eleição na canoagem, aos 18 anos fui a Atenas, com 22 vou a Pequim. Os outros praticantes olham para mim com respeito e como um exemplo a seguir. É um orgulho poder ser uma referência nacional", confessou.

Mas para ser um ícone neste desporto, o canoísta revelou ao DN sport os sacrifícios que teve de fazer na sua adolescência: "Além de todas as dificuldades para conciliar o desporto com os estudos, esqueci idas à discoteca, saídas à noite ou borgas com os amigos." Tudo para que nas quatro horas que treina por dia possa estar ao melhor nível: "Só não estou em cima de uma canoa no dia 24 de Dezembro e 1 de Janeiro, de resto, pratico todo o ano, em sessões bidiárias, quer faça sol, chuva, neve ou trovoada?"

Esforço que na opinião do jovem atleta tem as suas recompensas: "Além das alegrias dos títulos, há momentos que ficam para sempre, como ser porta-estandarte na sessão de encerramento dos Jogos Olímpicos de Atenas, conhecer novos amigos, novas culturas, viajar por todo o mundo, e, por exemplo, saber falar fluentemente a língua inglesa."

O seu currículo a nível nacional e internacional não deixa dúvidas que, a manter este nível, será um dos mais promissores atletas do mundo, mas Emanuel Silva sabe que tem ainda muito para evoluir.

"Tenho de ganhar mais experiência, tenho apenas 22 anos e, normalmente, os sucessos na canoagem só chegam aos 28, 30 anos", diz o jovem bracarense.

"Só com muitos mais quilómetros na água conseguirei atingir um nível superior", refere o canoísta, que, ainda assim, não se atemoriza, quando compete com as grandes figuras mundiais da modalidade: "Quando compito com os mais experientes penso que sou igual ou melhor do que eles. Sei que apesar de representarem grandes potências da modalidade não é isso que os torna melhores." Em Pequim, Emanuel Silva vai tentar mostrar isso mesmo: que está ao nível dos melhores.|

Diário de Notícias
www.dn.pt